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Inteligência artificial para advogados: use a IA como cliente desconfiado

  • Foto do escritor: Julio Gardesani
    Julio Gardesani
  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Quase todo mundo usa inteligência artificial da mesma forma. Mas isso pode ser diferente quando o assunto é marketing jurídico.


Inteligência artificial para advogados analisando falhas de comunicação em um site jurídico

Pede para melhorar um texto. Deixar a bio mais profissional. Criar uma legenda. Tornar a página mais persuasiva. Organizar uma apresentação.


Não há nada de errado nisso. Mas existe uma maneira bem mais interessante de usar a ferramenta.


Em vez de pedir para a IA ajudar você a se apresentar melhor, peça para ela procurar razões para um cliente não contratar você.


Parece estranho, mas a lógica é simples.


Quando trabalhamos durante muito tempo com o mesmo site, a mesma bio e a mesma apresentação, começamos a perder a capacidade de enxergar certos problemas. O texto já está tão familiar que tudo parece claro. Sabemos o que queríamos dizer e, por isso, completamos mentalmente aquilo que não foi realmente explicado.


O cliente não faz isso.


Ele chega sem contexto, olha rapidamente e tenta responder algumas perguntas básicas:

Entendi o que esse profissional faz?

Ele atende um problema parecido com o meu?

Parece confiável?

Existe um caminho claro para entrar em contato?

Vale a pena continuar aqui ou procurar outro escritório?


A inteligência artificial pode ajudar justamente nesse ponto: simulando o olhar de alguém que ainda não conhece você.


Use a IA como contraditório, não apenas como redatora

A maior parte dos prompts trata a IA como uma funcionária obediente:

“Melhore este texto.”

“Deixe mais sofisticado.”

“Torne mais persuasivo.”


O resultado costuma ser um texto mais arrumado, mas nem sempre mais claro. Às vezes, a ferramenta acrescenta palavras, formalidade e promessas genéricas sem enfrentar o verdadeiro problema.


Eu prefiro inverter o papel.


Em vez de pedir uma solução imediatamente, peço primeiro um diagnóstico.

Você pode usar este comando:

Atue como uma pessoa que precisa contratar um advogado, mas está desconfiada e comparando diferentes escritórios. Analise o texto abaixo e identifique: O que ficou confuso; O que parece genérico; O que reduz a confiança; Qual informação importante está faltando; Quais motivos poderiam fazer você desistir de entrar em contato.Não elogie por educação. Seja direto, crítico e específico.

Depois, cole o material que deseja analisar.


Pode ser o texto da primeira página do site, a bio do Instagram, a descrição do LinkedIn, a apresentação do escritório, o perfil no Google ou até a primeira resposta enviada pelo WhatsApp.


Inteligência Artificial para advogados: O que a ferramenta pode encontrar

Em muitos casos, a análise revela problemas simples, mas importantes.


Frases como “atendimento personalizado”, “excelência”, “compromisso” e “soluções jurídicas completas” aparecem em tantos sites que deixaram de explicar qualquer diferença real.

Também é comum encontrar páginas que falam muito sobre o escritório, mas não deixam claro quem ele atende.


Outras apresentam currículo, diplomas e anos de experiência antes de explicar qual problema o profissional ajuda a resolver.


Há ainda sites em que o botão de contato está escondido, a linguagem é excessivamente técnica ou o visitante precisa preencher informações demais antes de iniciar uma conversa.


Nenhuma dessas falhas significa que o advogado não seja competente.


Significa apenas que a competência pode não estar sendo comunicada com clareza.


E, no ambiente digital, aquilo que não é compreendido dificilmente gera confiança.


Não aceite todas as respostas da IA

A ferramenta não deve decidir como você vai se apresentar. Não quando se trata de Inteligência Artificial para advogados.


Ela não conhece toda a realidade do escritório, não entende integralmente suas limitações éticas e pode sugerir exageros, promessas ou simplificações inadequadas.


O valor está em revelar hipóteses e pontos cegos.


Leia a análise e separe três coisas:

O que é objetivamente confuso?

O que representa apenas uma preferência de estilo?

O que realmente merece ser alterado?


Esse filtro humano é indispensável.


A IA pode chamar atenção para um trecho genérico. Mas cabe ao profissional decidir como substituí-lo sem perder sobriedade, precisão e responsabilidade.


Faça o teste em diferentes pontos da jornada

Não limite a análise ao site.


O cliente forma uma percepção a partir do conjunto.


Ele pode encontrar o escritório no Google ADS, olhar avaliações, visitar o Instagram, conferir o LinkedIn, abrir o site e somente depois iniciar uma conversa.


Por isso, vale repetir o teste em diferentes materiais:

  • descrição do Google;

  • bio das redes sociais;

  • três publicações fixadas;

  • primeira tela do site;

  • página de área de atuação;

  • formulário de contato;

  • mensagem inicial do WhatsApp;

  • apresentação enviada antes de uma reunião.


A pergunta permanece a mesma:

O que faria uma pessoa desconfiar, desistir ou procurar outro profissional?


Um cuidado indispensável

Nunca coloque em ferramentas públicas informações confidenciais de clientes, documentos de processos, dados pessoais, estratégias jurídicas ou qualquer material protegido por sigilo.

A análise deve ser feita sobre textos institucionais e conteúdos públicos.


Quando houver qualquer informação sensível, remova nomes, números, datas e elementos que possam identificar pessoas ou casos concretos.


A análise deve ser feita sobre textos institucionais e conteúdos públicos. Quando houver qualquer informação sensível, remova nomes, números, datas e elementos que possam identificar pessoas ou casos concretos.


A Autoridade Nacional de Proteção de Dados publicou um estudo técnico sobre inteligência artificial generativa, seus usos e os riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais. Para quem trabalha com informações sensíveis, é uma leitura importante sobre os cuidados que precisam acompanhar o uso dessas ferramentas.


A IA não cria autoridade por você

Inteligência artificial pode ajudar a revisar, comparar, organizar e encontrar incoerências.

Mas ela não cria experiência, repertório, reputação ou julgamento profissional.


Autoridade não nasce porque um texto ficou mais bonito.


Ela aparece quando o advogado consegue explicar com clareza o que faz, para quem trabalha, como conduz o atendimento e por que alguém pode confiar naquele escritório.


A melhor pergunta, portanto, não é:

“Meu texto está bem escrito?”


É:

“Depois de ler isso, uma pessoa entende por que deveria continuar a conversa comigo?”


Antes de pedir à IA para melhorar sua comunicação, peça para ela desconfiar.


Talvez as respostas não sejam agradáveis.


Mas podem ser muito mais úteis.


Júlio Gardesani - ADVOGADOS.MARKETING

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☎ (11) 2638-7425​

 

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